A maneira como te
vejo, não é a mesma maneira com que me vês. Tu olhas-me com mais experiência e
com mais vida. Com mais batalhas travadas. Há quem beba os anos como quem se
quer embriagar de vida. Tu não: tu deixaste-os passar, sem nunca transbordar o
copo. Eu olho-te com mais medo e mais admiração. E culpa, tanta culpa… há dias
em que chego a pegar no telefone e fico a ouvir o bip ensurdecedor a ecoar, mas
quase nunca carrego nas teclas que nos distanciam a voz. Ouvir-te, dói-me. Porque a tua voz velha já não é a mesma. E a
minha voz firme, fica trémula quando falo de ti. Quero falar-te, mas não
encontro a coragem. E mesmo quando falamos, o que se ouve entre nós é silêncio;
e isso é o que temos a dizer uma à outra. Avó, tenho medo. E por isso não te
falo. Porque ias ver o quanto estou assustada, e eu não quero. Eu quero ser
forte, para tu poderes ser. Mas como, se tu já nem tu és? Não tens culpa. É a
vida que se apodera dos que nem sempre a conseguem vencer. avó, eu tenho medo
que tu me deixes sozinha como eu te tenho deixado. Nunca antes de tinha faltado
a coragem. Sou cobarde e tu és corajosa. É como se estivesses mais perto do
limite e eu não esticasse a mão para te ajudar. Não porque não queira, mas
porque isso não te impediria de cair.
A mudança da voz faz parte da evolução da vida, por isso, pega no telefone e fala para a AVÓ sempre que te der na real gana, mesmo com falta de coragem não hesites um minuto em ligar...
ResponderEliminarA felicidade é momento, por isso não percas nem um segundo...
beijinhos
Tó-Zé
Tens sempre as palavras certas... Beijinho
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