- Não precisam de ralhar comigo.
- Nós ralhamos contigo porque tu não queres fazer as coisas por ti. Não queres andar, não queres nada a não ser fechar as cortinas, e dormir. Dizes “estou doente” e apoias-te nisso. Não te esforças. Enquanto andamos nós aqui a fazer todos os esforços e sacrifícios. Para quê? Para ainda dizeres que te tratamos mal?! Estás sempre à espera que os outros façam por ti enquanto estás ocupada a dizer “não consigo”.
- Falar é fácil…
- E fazer não é impossível. Estás em melhores condições do que muitas pessoas com o teu problema. Tens apoio personalizado 24 horas por dia, sete dias por semana. E no entanto, não te vejo com vontade de colaborar. Ninguém pode viver em teu nome. – deixei-a a chorar e saí do quarto.
- Estão a castigar-me sem razão. – Diz, numa lamúria. Volto a entrar no quarto onde só distingo sombras.
- Porquê?
- Não me dão o comprimido para dormir. Eu não consigo adormecer.
- Não podemos!
- Se eu não estivesse doente há quanto tempo estava de pé. Vocês matam-me.
- Do que é que precisas? – Ignoro a acusação.
- Beber água. Quero ir à casa de banho. Quero comprimidos. Quero comprimidos! – e eu quero que alguém te abane e diga: Pára de adiar. Pára de esperar pela tua vez, pelo teu tempo. A tua vida não fica à espera, ela está à frente do teu nariz agora! E digo-te, ela não espera. Agarra-a! Vive-a! Está na hora… Quero ver-te louca, embriagada de viver, a deitar brilho pelos olhos, andar iluminada. Por falar nisso, onde anda a tua luz? Escondida debaixo dos lençóis, ou perdida no escuro do quarto, que é agora o teu habitat? Não fiques a ver o tempo a passar…Em vez disso, junta-te a ele, e sê imparável. Para que no fim possas dizer “foi por um triz. Mas estou aqui, (sobre)viva para contar a história. É agora ou nunca. Não te fiques pelo nunca...
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