Crescer é uma constante mudança. As chuchas trocam-se pelos cigarros. O namorado substitui o colo da mãe. O leite com chocolate dá lugar à vodka. Os triciclos deixam de importar e o que importa são os carros. Agora a protecção é um preservativo em vez de ser um capacete. Os problemas já não são só ver quem corre mais rápido, ou quem joga melhor às escondidas. O recreio desaparece e no lugar dele aparece a discoteca. O primeiro beijo dá lugar a muitos mais. Os ‘’adeus’’ tanto podem ser um até amanhã como um até nunca; até sempre. E nunca pára, o tempo não perdoa. Existem casamentos, existem filhos. Existem divórcios. Existe uma rotina, e um protocolo, por muito que se tente fugir à regra. E o tempo continua a passar... E afinal ninguém quer envelhecer, por isso compram-se cremes anti-rugas, anti-envelhecimento, anti-queda-de-cabelo e anti-tudo-o-que-for-remotamente-ligado-à-velhice. Depois deixam de funcionar, e vêm os netos, e supostamente os melhores anos da vida. Ou não. Porque com a idade, vêm as doenças, os medicamentos para isto e para aquilo, os ossos partem-se, as cirurgias acontecem.
Afinal, nada disto interessa, porque o tempo vai sempre passar, vão-se sempre cometer erros e ganhar cicatrizes. Afinal, vamos sempre viver, e morrer quando o destino quiser; a não ser que não encontremos outra saída.
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