sexta-feira, agosto 3

truth be told


"Vamos esquecer-nos". Como se fosse assim, simples. Ir ali e comprar sapatos novos. Acordar, e tomar o pequeno almoço. Encher um copo com água. Banal, automático. Mas...Por onde se começa? É que cada vez que te vejo, cada vez que te sinto à distância, cada vez que cheiro o teu olhar; lá se rasgam os sapatos novos. Lá se vai o pequeno almoço. Lá se entorna o copo com água. Lá nos lembramos... 
E vai ser assim, até sarar. Até a ferida deixar uma cicatriz quase invisível, mas que teimará em dar de si quando o tempo ameaçar mudar. É nessas alturas que nos vamos lembrar um do outro. Do que fomos, do que fizemos. Do que é a nossa história - muito ao de leve escrita em marca de água, na minha alma. 
Esquecer-nos-e-mos, a pouco e pouco, tenho a certeza, enquanto as células se regeneram, enquanto debaixo da pele, debaixo da carne, debaixo do osso, debaixo das emoções, nos curam desta dor do rasgar, ao afastar. E a história, que antes estava à flor da pele, vai adormecendo. Tal como nós, um no outro. Vou guardar-te num cantinho ao fundo das minhas costas, e deixar-te lá. Não vou cair na tentação de te trazer para o pé de mim nas noites de trovoada. Nem nunca. Mas quero-te lá. Só para ter a certeza que não nos perdemos completamente.





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