De vez em quando, dou por mim a sacudir-te
daqui. Do meu lugar, da minha cabeça, do meu mundo. Porque tenho a plena noção
que não pertences aqui. Nem vale a pena o esforço de te tentar trazer. Sei que
exististe, apesar de, para o resto do mundo, não seres real. Não preciso de
provas a mais, guardo o pequeno pedaço que exististe em mim no pouco momento
que estivemos juntos.
Apago as faíscas que se formam no ar. Sacudo-te, sai, xô, esquece
a química, esquece a faísca, o nosso fogo nunca teve por onde arder. Escondo-te
atrás de outras pessoas. Guardo-te num quarto cada vez mais trancado no meu
peito, não vás tu gritar. Não é que sejas segredo, mas prefiro ter-te só pra
mim.
Só eu sei o quanto me custa voltar à realidade, depois de ter ganho asas. Acordaste-me,
fizeste-me ver que há melhor. Que não me devo prender a alguém só por medo do
que vem a seguir. Que tenho de me soltar do que me faz mal, mesmo que me faça
mal soltar. Quanto a ti, meu quase amor, guardo-te debaixo da almofada. Dobrado
numa folha do livro da mesa de cabeceira. Onde ninguém vê, onde ninguém sabe. Onde
deixo entrar a nostalgia, mas só um pouquinho, pra ela não se instalar. A minha
mente mal habituada a momentos fugazes ganhou a mania de te tentar prolongar.
Nós,
meu amor, já não temos para onde crescer… Deixa-te ficar por aí, e eu…eu vou-te
sonhando.
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