sábado, abril 21


Vejo agora que nunca fomos iguais, e por isso o nosso amor era desigual. Eu amava-te demais, se é que isso é possível. Tentei mostrar-te, pois podia ser que assim retribuísses. Foste embora. Tentei ser indiferente, e podia ser que assim te fizesse falta. Quando achaste que fazia, voltaste. Devia ter-te negado, mas não, estava tão distraída em pensar que me querias, que te quis demais, mais uma vez. Vieste só de passagem. Enquanto que eu daqui não posso sair. Estou presa neste sítio que nem sítio é, é uma forma de estar. Presa… Enquanto tu continuares a vir e ir, de passagem, eu não consigo sair de forma definitiva. Para mim, era necessário estar contigo; pra ti, era confortável. Eu precisava de ti para viver, tu tinhas-me para te fazer um pouco mais feliz. Vês a diferença? E agora, quero tirar-te de mim. E queria que tentasses fazer o mesmo, mas não podes, pois eu nunca cheguei sequer a entrar em ti. Eu quis lutar, mas não tinha adversário nem exército. Lutei sozinha. Sem ninguém a meu lado nem ninguém contra mim. Porque lutei então? Por nós. Até quando isso já não existia. E tu sabias, mas não me impediste. Deixaste-me combater sozinha, já sem defesas até porque foi por ti que baixei o escudo. Tu, que eras o meu exército, és agora o adversário. Mas não te quero derrotar. Fui a causadora desta batalha...E por isso luto comigo, e contra mim. 

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