segunda-feira, janeiro 30

na saúde e na doença

Acho que não sabemos as coisas até as viver. Esta história pode-se passar com a maioria de nós. Afinal quem não conhece que tenha alguém doente?
E quando chega a nossa vez? Por assim dizer, não somos nós, mas a outra pessoa. O Nosso. Algo se passa de diferente, e descobre-se. E trata-se. Mas não tem cura. Não há cura. E depois é a operação, e com ela horas de angústia. Antes, durante e depois. E depois, quando vemos a nossa pessoa em casa, ainda pensamos que é mentira! Mas ainda não acabou, não, estas histórias são longas. Sentimo-nos fracos, pelas lágrimas derramadas ao final de cada dia. Depois, a independência acaba-se. Queremos é fazer o máximo, que no fundo é um mínimo. Deixa-se de tomar por garantidas coisas banais. Como comer sozinho, ou simplesmente andar até à varanda e respirar. Respirar com todos os pulmões e sentir o ar frio percorrer-nos. E depois começam os tratamentos. E o resto, é com cada um. Acho que tudo depende da força. Não da física, mas da de espírito. Sobreviver ou deixar-nos ir, é connosco. Mas o ponto fulcral disto tudo é que nos muda. O outro, o Nosso, muda-nos. Ficamos melhores, mais sensíveis, mais sensatos, mais atentos, menos egoístas. Ajudamos o outro, aquele, alguém. Queremos ser úteis. Queremos fazer tudo. Mas também ficamos diferentes. Talvez tristes, às vezes. Porque quando olhamos para trás, custa. Mas tudo isso perde importância, quando ao fim de um dia cansativo, estafados de tudo, nos vamos deitar sorrateiramente na cama da nossa pessoa, e ficamos ali, a ver televisão. Simples, não é? Ou ainda à noite depois de jantar, juntar a família toda e contar a nossa semana. Os nossos problemas, as nossas mini vitórias diárias. Tudo tem um sabor diferente. São coisas banais que antes passavam ao lado. E depois acontecem coisas, os dias ficam diferentes, menos apressados e cada dia é um dia. Cada passo é dado com mais cautela, cada suspirar é respirado com calma. E o nosso corpo passa a ser feito de esperança. Que nos desloca, nos move e nos une.

3 comentários:

  1. Olá Inês, boa noite!
    Obrigado por estares a escrever! obrigado por nos manteres informados... obrigado por nos manteres atentos...

    Boa semana
    bjs
    oinotna

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  2. gostei muito, já não andava por aqui à algum tempo!

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  3. Anónimo oinotna, obrigada por seres dos meus únicos seguidores, que realmente segue!
    Bj

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