Sou apenas uma flor.
Estava livremente balouçando ao vento, ao ritmo da vida, até que reparaste em mim e decidiste colher-me. Egoísta, tiraste-me do meu habitat para me teres só para ti; e eu, sem outra alternativa, entreguei-me a ti. Contemplaste as minhas pétalas e tentaste tirar-me os espinhos. No dia em que decidiste que eu era só mais uma flor cheirosa, e não a TUA, que as minhas cores garridas não satisfaziam o teu olhar, que o meu cheiro intenso não saciava o teu olfacto e que as minhas pétalas não te transmitiam o toque desejado, quiseste deixar-me no sítio inicial. ''Ela criará novas raízes'', pensaste tu, erradamente! Impossível! Estava demasiado infiltrada em ti, voltar às origens não era opção para mim. Mas não ligaste ao meu desespero silencioso e deixaste-me lá, sem olhar para trás. O meu lugar deixou de ser ali desde o momento em que me colheste. Mas que alternativa tenho eu?
Sou apenas uma (frágil) flor.
Outrora brilhante, agora murchando cada vez mais a cada minuto.
Sou apenas uma flor.
Aguardando a altura que te lembres de mim de novo.
Sou apenas (E SÓ) uma flor.
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