( - Já chega, vamos resolver isto. - Comecei.
- Isto o quê?
- Isto, eu, tu, nós. Ando aqui sem saber há imenso tempo...
- E não gostas assim? - disse ele calmamente, com o seu jeito para transformar as conversas.
- Gosto, não é isso... Mas é que, só há três hipóteses: ou paramos por aqui, ou algo mais, ou continuamos assim. E acho que já percebeste que não quero a última opção.
- Mas eu não sei o que quero... Diz-me tu.
- Não vou dizer uma coisa para depois tu dizeres que não... - Arrisquei eu.
- Eu não vou dizer que não, vou concordar com tudo o que disseres. Mas olha, falamos melhor depois...
- Não, não falamos depois. Porque é que haveríamos de o fazer? Se eu estou aqui, à tua frente. Entendes? Eu sou tua, aqui e agora. Porquê essa necessidade de adiar, de fugir? Preciso de algum tipo de certezas, por mais mínimas que sejam. Preciso que me sigas quando virar as costas, que me beijes quando não estiver à espera. Preciso de isso tudo e muito mais. Preciso de olhar para os teus olhos e ver-me neles; tão simples como isso. - Era esta a resposta perfeita, o problema é que não passou da minha cabeça. Era tudo isto que queria que soubesse. Mas na realidade, deixei tudo por dizer, sorri e disse:
- Tudo bem, falamos depois. )
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